Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

TACANHICE LUSÓFONA

   É estranho como no mundo lusófono andamos sempre ao contrário das mentes mais abertas.
 
   Enquanto, por exemplo, na África do Sul, as feridas do apartheid foram saradas através de uma Comissão da Verdade e Reconciliação, DOIS ANOS após o fim daquele, no mundo lusófono ainda trocamos acusações sobre o passado colonial que acabou há TRÊS DÉCADAS E MEIA.
 
   Na África do Sul entendeu-se por bem manter-se nomes de afrikanders que a mal ou bem fizeram parte da história do país, tal como ele é hoje.
 
   Em Moçambique, em sentido contrário, celebra-se hoje a substituição de nomes como Marquês de Pombal numa Avenida de Maputo, por um que a esmagadora maioria dos residentes da capital mal consegue pronunciar (Chinyamapere).
 
   Na África do Sul procura-se fazer com que todas as comunidades se sintam integradas e parte do país a construir. No mundo lusófono ainda há nós, os coitadinhos, e eles, os opressores.
 
   Mesmo que os oprimidos o sejam há mais de três décadas por incúria dos respectivos líderes políticos e por tratarem à pedrada aqueles com que poderiam há muito ter (re)construído pontes.
 
   Leiam o último livro de Mia Couto, “E se Obama fosse africano”, e caiam na real.
 
   Ou será que agora o Mia também vai ser criticado como neo-colonialista por falar verdades politicamente incorrectas?

publicado por António Mateus às 12:29
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Sábado, 28 de Março de 2009

DESISTIR.SAUDADE.CULPA.E AGORA QUE FAÇO?

 
 
   DESISTIR. SAUDADE. CULPA. E AGORA QUE FAÇO?
 

   Seis meses depois de ter chegado a Moçambique Moreno morria de SAUDADE de tudo e mais uma gota de chuva familiar.

   Estava tão insatisfeito com o rame-rame da própria vida e a urgência de luz que arrastou meio mundo, a começar por si mesmo, na convicção de ser capaz de assumir a chefia de um posto importante em Maputo. E que por ali seria seu crescer interior.

   Passados seis meses, Moreno era um remoinho de interior solidão. E o país , naqueles dias, um imenso buraco negro. Paupérrimo em valores materiais e, aparentemente, de estímulos existenciais.

   Dia-a-dia, semana-a-semana, somou-se-lhe a vertigem de DESISTIR.    Ùnica saída vislumbrável para aquele sufoco. 

   Por um lado vincava-se a certeza de ter atingido seus limites.          

   Por outro, prendia-o à Terra, a CULPA  de no saltar para essa viagem ter arrastado tantas fés em si, incluindo um investir arrebatado de toda a própria luz.

   Dia-a-dia, noite-a-noite, somava-se-lhe no peito uma exaustão indizível. E AGORA QUE FAÇO?

   Graças a Deus, as dificuldades logísticas do desistir e regressar eram igualmente extremas. E a dança do tempo, como sempre, transformou-se em contra-dança do sentir.

   O esticar dos nossos limites tem também essa magia. Esse milagre.

   É como se a crisálida que até ali éramos rebentasse seu envólucro extravasando-se numa linda borboleta. Apta a voar em vez do ser rasteiro até ali moldado.

  Afinal, como sempre, a Mão Alta que ali o levara sabia-o bem melhor.

  E por um xicuembo de sabedoria lhe ensinou que qualquer um pode desistir e, rasteiro, morrer crisálida.

  Mas requere determinação e vontade.

  Respeito por nós, para buscar a luz e sair a voar.

 


publicado por António Mateus às 11:52
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