Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

JOÃO GIGANTE

 

Um dos mais notáveis fotojornalistas que conheci profissionalmente em diversos cenários de conflitos.

 

João Silva deu os primeiros passos como reporter na África do Sul durante os últimos anos conturbados do apartheid.

 

Desde então tornou-se reconhecido a nível mundial por uma sensibilidade humana e uma humildades raras, somadas num talento deslumbrante.


Agora, quatro meses após ter perdido ambas as pernas ao pisar uma mina durante uma reportagem no Afeganistão, voltou a andar, com a ajuda de próteses.

 

"O fisioterapeuta colocou-me as próteses, perguntou-me se eu queria andar e eu arranquei. Devo ter andado na passadeira umas 20 vezes. Não conseguia parar", explicou o fotojornalista português, citado pelo New York Times, ao serviço do qual sofreu as lesões.

 


 


publicado por António Mateus às 23:18
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

OBRIGADO NEW YORK TIMES

 

O New York Times ofereceu lugar nos quadros da empresa ao reporter de imagem português que sofreu a amputação parcial de ambas as pernas ao pisar uma mina anti-pessoal no Afeganistão.

 

http://lens.blogs.nytimes.com/2010/12/09/a-special-visit-for-joao-silvas-recovery


O acidente ocorreu quando João Silva acompanhava uma jornalista do New York Times, durante uma reportagem em Argandhar, uma zona particularmente perigosa daquele país.


João Silva trabalhava à peça para o jornal diário americano que em vez de o deixar "cair", perante a gravidade da lesão, assumiu todas os encargos médicos de recuperação do foto-jornalista português e, agora, integrou-o nos quadros da empresa.


Há gestos humanos que nos deixam sem palavras. Pela positiva.
E este é, certamente, um deles!

 


publicado por António Mateus às 23:22
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

FOTÓGRAFO DE GUERRA

Foto João Silva

Detidos dormem no chão de prisão superlotada, Lilongué, Malaui.

 

Esta é uma das fotos que melhor traduzem o rasgo de um português descrito pelo director do New York Times como um dos melhores fotógrafos de guerra do mundo.

 

Bill Keller conheceu (tal como eu) o João quando os três cobríamos na África do Sul todo o processo que se seguiu à libertação do Nelson Mandela.

 

Refugiado naquele país com os pais, 15 anos antes, do caos que rodeou a independência de de Moçambique, João começara a trabalhar para o maior diário sul-africano, o The Star, enquanto eu e o Keller eramos correspondentes estrangeiros. Ele do New York Times e eu da Lusa. Ambos com escritórios no mesmo corredor do MediaCenter, da Pritchard Street.

 

Bill Keller escreve agora que desde aquela altura se impressionou com o talento, humildade e intuição raros do fotojornalista nascido há 44 anos em Lisboa.

Mas também com a força interior de um profissional que acredita irá vencer, também por isso, a mina que lhe amputou parcialmente ambas as pernas e retomar a sua paixão de fotografar.  Assim que aprenda a caminhar em próteses.

 

Exagero? Irrealismo? Não o creio. Conheço diversos antigos "tropas" especiais que sofreram lesões semelhantes e se locomovem hoje, com agilidade, recorrendo a próteses. E o João é certamente feito da mesma fibra. Keller acredita nisso e eu também.

 

Para quem tenha tempo e sensibilidade, recomendo a leitura do artigo citado, através do link que aqui deixo do New York Times. É uma entrevista dada pelo João em Dezembro último....ajuíza por ti. E mais não digo. Não é preciso.

 

http://lens.blogs.nytimes.com/2010/10/26/joao-silva-acting-despite-fear/?scp=1&sq=joao%20silva&st=cse


publicado por António Mateus às 23:03
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Domingo, 24 de Outubro de 2010

FOTÓGRAFO POR PAIXÃO

 

João Silva continuou a fotografar enquanto os paramédicos lhe aplicavam torniquetes e o sedavam com morfina.

 

O testemunho é da reporter Carlotta Gail que acompanhava o fotógrafo português quando este accionou uma mina artesanal, na província afegâ de Kandahar, perdendo parte de ambas as pernas e sofrendo lesões pélvicas.

 

É uma reação típica da pessoa que conheço profissional e pessoalmente desde que nos começámos a cruzar diariamente na cobertura de incidentes de violência e do fim do apartheid na África do Sul, no início da década de 90.

 

Foi esse o seu reflexo quando o seu amigo Ken Oosterbroek (e também reporter fotográfico) agoniava após ter sido atingido por uma bala de supostas forças da ordem que disparavam em pânico contra impis zulus, encurralados num "hostel" dos arredores de Joanesburgo.

 

João torturou-se depois com essa sua reacção de "sobrevivência" mas quis também perpetuar assim a memória do amigo, pelo qual não podia, em boa verdade fazer, fosse o que fosse, na altura.

 

Destemido e, ao mesmo tempo, sensível e humilde, o João entregava-se ao seu trabalho com uma paixão e um olhar raros, agora destacados de novo pelo director do New York Times, Bill Keller, que era na altura o correspondente do diário americano em Joanesburgo e, agora, o chefe máximo do periódico.

 

A sua mulher Vivian (com quem vive na África do Sul e os dois filhos do casal) foi "brifada" telefonicamente pelo cirurgião que atendeu o marido, em Kandahar e por quem ficou a saber que este ainda não está livre de perigo de vida, apesar de "extremamente forte".


João Silva nasceu em Lisboa, há 44 anos, de onde acompanhou os pais para Moçambique, ainda menino. Dali mudar-se-iam para a África do Sul durante os incidentes de violência que marcaram a independência daquele país.


Estreou-se aos 33 anos como fotógrafo profissionalno Alberton Record, um jornal local daquele município periférico de Joanesburgo, mas rapidamente se notabilizou e ganhou reconhecimento internacional.

 

D.R.


publicado por António Mateus às 08:46
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António Mateus

Escritor e jornalista. Nasceu em 1960 em Castelo Branco, filho de uma socióloga e de um Oficial de Cavalaria. Licenciado pela UTL e iniciou a sua actividade jornalística no jornal O Globo em 1982. Continuar a ler (...)

Os meus livros

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