Sábado, 20 de Novembro de 2010

BRICOLAGE SEXUAL

Anúncio controverso

 

 

Um francês sexagenário tornou-se figura nacional por prestar serviços domésticos de bricolage a troco de sexo e anunciado este serviço na internet.

Uma iniciativa que desencadeou enorme celeuma após o Le Parisien ter dedicado uma extensa reportagem ao  anúncio “arrojado”, onde o diário francês cita uma série de outros “maduros” envolvidos no mesmo tipo de vida.

“Eu tinha posto um anúncio em que oferecia os meus serviços de bricolage e, um dia, uma senhora de 52 anos respondeu perguntando se podia pagar os serviços em sexo”, explicou Serge, de 62 anos. “Aceitei e repeti o serviço várias vezes”-

Outro especialista no mesmo ramo, Eric, de 55 anos, relata pormenores sobre as suas experiências laborais; “A primeira procurava pretexto para uma aventura e a segunda era uma senhora de 51 anos que vivia só, precisava mesmo de obras em casa e não tinha dinheiro para as pagar” – adiantou.

“Tudo consiste em dar prazer ao mesmo tempo que se proporciona um serviço útil. Só encontro gente agradável com quem partilho experiências quentes, mas com respeito e bom humor”, resume, por sua vez, Pierre, de 56 anos.

Um quadro lamentado por Yves Charpenel, presidente da Fundação Scelles, dedicada a prevenir a prostituição; “É uma nova espécie de lenocínio, ainda que o pagamento não seja a dinheiro.

 

“Na raiz de tudo está a precaridade financeira. Para muitos o corpo é hoje em dia um capital de que se pode obter muito proveito”, contextualiza a socióloga Laurent Mélito. E é aqui que surge o debate e a controvérsia; um vazio legal que prevê a penalização de acto sexual a troco de dinheiro mas é omisso quando o dito cujo ocorre a troco de outro serviço.


publicado por António Mateus às 22:14
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Terça-feira, 20 de Julho de 2010

LOGRO DO SÉCULO

 

O Ocidente foi objecto do logro do século no assalto ao Iraque.

 

A antiga chefe dos serviços secretos britânicos britânicos testemunhou hoje perante uma comissão de inquérito que não tinham qualquer base factual os argumentos públicos citados para invasão do Iraque pelas tropas aliadas.

 

O assalto decidido por George W Bush e Tony Blair, com o apoio expresso de governos europeus como o português (recorde-se a Cimeira das Lajes), foi "justificado" por alegados propósitos terroristas de Saddam Hussein.

 

Com esse objectivo, ao executivo iraquiano era ainda imputada a produção e acumulação de arsenais de armas de destruição maciça.

 

 Nelson Mandela protestou vigorosamente na altura os argumentos de uma invasão lançada à revelia das Nações Unidas, sublinhando que isso subvertia as bases de multilateralismo e as regras da própria democracia ocidental.

 

"Uma potência com um presidente que não consegue pensar adequadamente quer lançar o mundo num holocausto!" - sublinhou Mandela, em Joanesburgo, a 29 de Janeiro de 2003. "Ele (Bush) está a cometer o maior erro da sua vida ao provocar uma carnificina".

 

Washington, Londres e uma parte substancial dos media ocidentais reagiram com sobranceria aos comentários de Mandela, sobre aquilo que vendiam como sendo uma cruzada pelos direitos de um povo (iraquiano), que - na verdade - nunca lhes confiou tal mandato e, no melhor dos cenários, passou de um Estado repressor a um inferno diário.

 

 Mandela sublinhou, na altura, que a postura de Bush e Blair fazia recuar décadas de trabalho diplomático paciente, para esvaziar os argumentos dos ditadores de todo o mundo, incluindo África, que acreditam ser donos da verdade e valores únicos.

 


publicado por António Mateus às 12:14
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

O "DONO" DO MUNDIAL

Entrevista que se mantem actual....

  O presidente do país anfitrião do Mundial de Futebol é um homem controverso...

  ...tanto como as garantias de segurança até agora reiteradas pela FIFA e a organização da prova.

 

 Não está em causa um país que é deslumbrante e desenvolvido a um ponto que quem dera a muitos Estados europeus, mas um nível e intensidade de crime que exigem realismo, informação e saber-estar.

 

 


publicado por António Mateus às 17:24
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

LUSODISSONÂNCIA

 

   Preso por ter cão e por não ter. É o que se poderia dizer dos promotores de um acordo ortográfico no mundo lusófono.

   Do Brasil, o DN dá conta de críticas a tal esforço normalizador, ecoando idênticos anti-corpos subscritos deste lado do Atlântico.

   Não está em causa a ”utilidade” estratégica de tal esforço em termos politicos e comerciais mas sim as implicações para os utentes do português, pintado com estas ou aquelas roupagens, consoante o meridiano em que é escrito ou verbalizado.

   Além de o jornal O Globo já ter dado voz às resistências assumidas deste lado, sob o título “Portugal Reage”, o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, membro da Academia Brasileira de Letras, é citado entre os acordo-cépticos.

   "No tempo do Getúlio (Brasil) e de Salazar (Portugal) foram feitos acordos que não prevaleceram, porque, na realidade, quem faz a língua não são as academias, nem os governos. Quem faz a língua é o povo," afirma. "Os portugueses jamais vão deixar de chamar o trem de 'comboio', não adianta.

   Em Portugal, 'facto' é 'fato', e 'fato' é 'roupa'. Também temos nossas particularidades e jamais vamos chegar a um acordo".

   O DN cita ainda Desidério Murcho, da Universidade Federal de Ouro Preto, a sustentar que "as pretensas vantagens do acordo são como as vantagens de ter gnomos de barro no jardim: são decorativos, mas não fazem a poda por nós".

   Até porque, refere, "não há qualquer impedimento ortográfico à presença dos livros portugueses no Brasil, por exemplo. Na verdade, na biblioteca de filosofia da minha universidade encontram-se imensos livros portugueses e nem os meus colegas nem os meus estudantes se queixam da ortografia. Mas todos se queixam de ser muito difícil comprar livros portugueses".

   Por fim, o jornalista José Carlos Tedesco lembra que, "entre os quase 200 milhões de brasileiros, muitos não conseguem sequer cumprir as regras antigas e, portanto, terão grande dificuldade - ou irão mesmo ignorar - as novidades". 


publicado por António Mateus às 12:34
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

JUÍZOS APRESSADOS

 

   Onde se cruzam as fronteiras do rigor, da verdade e da vertigem em assegurar ambos, com o encaixar de "factos" em ideias pré-concebidas e a arrogância da ignorância?
 
   O caso da professora de Espinho acusada de usar suposta linguagem “imprópria” e, pior ainda, uma postura tudo menos pedagógica na condução de um conflito com alunas é disso caso gritante.
 
   Primeiro, de “escribas” (ser jornalista é algo mais do que fazer juízos apressados e coxos) a responsáveis escolares, todos se apressaram a linchar publicamente a professora.
 
   Agora (tire-se-lhe o chapéu) o jornal Público mostra hoje a outra face deste mesmo quadro, onde alunos da dita escola avançam ter-se tratado afinal de uma “emboscada” a uma professora por eles descrita como “espectacular” e uma “segunda mãe”.
 
   Enquanto não se apura onde mora a verdade, o bom nome da professora em causa já foi arrastado na lama e, como se tem tornado hábito, foi sepultada a presunção de inocência da dita cuja.
 
   Faz-me lembrar a recorrência de “notícias” contra o Colégio Militar, alicerçadas em comportamentos de desvio de alunos identificados e que são por isso mesmo alvo de processos disciplinares rigorosos (como oxalá ocorresse nos estabelecimentos de ensino públicos deste país).
 
  O grave (muito antes pelo contrário!) não é divulgar abusos cometidos – porque ainda bem que isso é feito – mas sim induzir falsamente que seriam situações sancionadas e abafadas por pessoas e um sistema com elas coniventes.
 
   O apuramento da verdade não se constroi montando uma mentira estalinista mas ouvindo de forma isenta todas as partes, cruzando os argumentos e verificando a sustentabilidade dos mesmos antes de formalizar juízos.

 

P.S. Já agora seria interessante verificar-se o que implicaria em negociatas um eventual fecho do Colégio Militar e a alineação imobiliária dos respectivos terrenos numa zona nobre de Lisboa.

     


publicado por António Mateus às 16:42
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

SOFRIMENTO OU MORTE?

   Onde mora a razão? Um juiz pode obrigar pais de um menor a recorrer a quimioterapia para combate a cancro em vez de formas menos agressivas de tratamento?

   Pode. Pelo menos nos Estados Unidos, onde um juíz de Minnesota assim o determinou.

   Os pais de Daniel Hauser, de 13 anos, tinham apoiado a decisão do filho de abandonar a quimioterapia e optar por tratamentos alternativos e suplementos nutricionais para combate a um linfoma de Hodgkin, seguindo uma fórmula adoptada por índios americanos.

   O tribunal deu, por seu lado, provimento a uma contestação do ministério público baseada em pareceres médicos, segundo os quais o jovem tem 90 por cento de hipóteses de sobrevivência se seguir tratamentos de químio e radioterapia. 

 


publicado por António Mateus às 11:42
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António Mateus

Escritor e jornalista. Nasceu em 1960 em Castelo Branco, filho de uma socióloga e de um Oficial de Cavalaria. Licenciado pela UTL e iniciou a sua actividade jornalística no jornal O Globo em 1982. Continuar a ler (...)

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