Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

LUTO DOS INOCENTES

 

Os dois movimentos separatistas cabindenses reclamam a autoria do atentado sangrento que vitimou futebolistas togoleses em trânsito para o enclave.

 

E um deles, a FLEC-PM, avisa mesmo que haverá novos incidentes do género durante a Taça Africana das Nações de Futebol, iniciada domingo em Angola.

 

Rodrigues Mingas, auto-proclamado desta facção dissidente afirmou que o alvo dos seus homens nesta emboscada era a guarda militar angolana e não os futebolistas do Togo, por – nas suas palavras – Cabinda estar em guerra.

 

A mesma argumentação usada por um porta-voz da FLEC-FAC logo após a emboscada de sexta-feira. A diferença está em que o primeiro daquelas facções avisa que irá manter os ataques durante o CAN-2010, o Chefe de Estado Maior da FLEC-FAC anunciou a suspensão das hostilidades durante a prova.

 

Á gravidade da (irre)solução do problema de Cabinda há várias décadas, acresce cada vez mais a politiquice e as tricas de interesses entre os independentistas no exílio e os elementos armados no terreno.

 

Luanda insiste tratar-se de uma “questão doméstica” e de “soberania nacional” para rejeitar qualquer pressão ou legitimidade dos independentistas, mesmo quando os cabindenses pouco beneficiam da imensa riqueza natural das suas terras ancestrais.

 

 Nada poderá justificar o derrame de sangue de inocentes – como foi o caso das vítimas togolesas – e daí a condenação generalizada da emboscada como um acto atroz, eventualmente mobilizador de uma caça global aos responsáveis das FLECs armadas.

 

O problema é de quem tem memória e consciência...porque barbaridades deste calibre ou bem pior já foram protagonizadas por quase todos os países e militâncias, que agora (e bem) chamam terroristas a quem arquivou o respeito pelos direitos humanos, em nome do desespero, de interesses financeiros ou da conquista do poder.

 
 

 


publicado por António Mateus às 13:31
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António Mateus

Escritor e jornalista. Nasceu em 1960 em Castelo Branco, filho de uma socióloga e de um Oficial de Cavalaria. Licenciado pela UTL e iniciou a sua actividade jornalística no jornal O Globo em 1982. Continuar a ler (...)

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