É um oásis de desenvolvimento e qualidade de vida e, por isso mesmo, um "El dorado" procurado por milhões de imigrantes ilegais.
Um activo e ao mesmo tempo a principal dor-de-cabeça da administração de um país que é o maior produtor mundial de ouro e de platina.
Hoje reacenderam-se as emoções raciais à porta do tribunal de Ventersdorp, quando foram presentes os presumíveis assassinos do lider da extrema- direita, Eugene Terreblanche.
Brancos e negros trocaram insultos e ameaças e só a pronta intervenção da polícia evitou confrontos violentos.
Não está em causa a capacidade da África do Sul em acolher o Mundial de futebol que certamente será um sucesso (como já o foram uma série de outros mega-eventos internacionais realizados no país desde o fim do apartheid em 1994).
Recomendam-se, no entanto, precauções adicionais e bom-senso aos visitantes.
De resto e a título de exemplo, São Paulo e o Rio de Janeiro apresentam índices de criminalidade violenta bem mais graves do que qualquer cidade sul-africana e não deixam por isso de ser cidades deslumbrantes e procuradas.
O assassínio do antigo lider do AWB deixa a nú a escala e o potencial de violência latente num dos países mais deslumbrantes do Mundo.
Conheci Eugene Terreblanche de perto durante os 10 anos que chefiei a Lusa naquele país e a imagem que guardo é a de um homem que era uma força da natureza, brutal, carismático e que despertava a lealdade das franjas brancas mais radicais.
O AWB (Movimento de Resistência Afrikaner) é um grupo de extrema direita, de supremacia afrikaner, com uma ala paramilitar (Ystergard) em que militavam informalmente dezenas de antigos comandos, paraquedistas e fuzleiros.
A morte brutal de Terreblanche segue paradoxalmente sortes idênticas sofridas por centenas de agricultores brancos asssassinados naquele país mas é, em si, um duplo pesadelo para a administração do ANC (no poder na África do Sul).
Por um lado, vem na esteira de posturas provocatórias racistas anti-brancos do lider da juventude do ANC, como a recuperação do hino "Morte aos boer" (boer=agricultor afrikaner).
Por outro, a decorrente factura de escalada de tensões raciais numa África do Sul onde a criminalidade violenta assume muitas vezes facetas racistas e/ou xenófobas.