Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

ANGOLA A DIREITO

 

   É um dos países do mundo que melhor conheço como jornalista, estrangeiro e como "irmão" apaixonado de África.
 
   E por isso mesmo, ao contrário de tantos "especialistas africanos" que vejo, escuto e leio diriamente nos media portugueses,  assumo a imensidão da minha ignorância sobre fenómenos como o recente ataque mortal a um autocarro de futebolistas do Togo, atribuído à FLEC.
 
   Desde os tempos coloniais que se contam meias-verdades e se reprime o mensageiro quando estão em causa os interesses financeiros colossais de Cabinda, sepultando assim ainda mais a hipótese de uma solução para o problema de raiz.
 
   É verdade que nada poderá justificar um golpe publicitário sangrento mas como entender também a insanidade de uma selecção de futebol viajar de autocarro em zonas quentes como aquela?
 
   Lembro-me de nos anos 90 ter ido como jornalista, da África do Sul a Cabo Ledo, fazer uma reportagem com responsáveis da então “Executive Outcomes”. A empresa acabara de ser contratada pela liderança militar do MPLA para reagrupar as FAPLA após o regresso à guerra pela UNITA.
 
   Tratava-se de contratar para ajuda ao MPLA homens que conheciam por dentro a UNITA e tinham estado na frente de guerra contra Luanda, integrados nos batalhões 32 e 33, forças de elite sul-africanas.
   Estive naquela base com Eeben Barlow, do lado da EO, e os generais João de Matos e o António Faceira, a testemunhar o arranque do contrato.
 
  Nesse mesmo dia fiz um despacho para a Lusa e para RTP. No dia a seguir, o então porta-voz da Embaixada de Angola em Lisboa protestou a notícia como “falsa” e exigiu desculpas.
 
  Fiquei perplexo!
  Perguntei aos meus botões se ninguém avisara a Embaixada de Angola que aquele acordo já estava em vigor e activo há vários meses, ou se a opção era de calar o mensageiro.
 
   Depois lembrei-me que somos todos luso-falantes. Com os mesmos méritos e defeitos;
 
   Se aqui em Portugal se deve comer e calar e se privilegia o lambebotismo em vez do enriquecimento com outros olhares, porque haveria de ser diferente em Angola?
 

publicado por António Mateus às 18:43
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