Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

FIM DOS MANUAIS ESCOLARES?

 

 Foto: El Pais
Presidentes da Catalunha e da Microsoft formalizam o acordo
 
   Pois é...pobre Sócrates.
 
   Estava tão feliz com a ideia do Magalhães e de repente do outro lado da fronteira nuestros hermanos ”copiam” a ideia...ou melhor, dão-lhe um fôlego realmente eficaz.
 
   As editoras livreiras que se cuidem...se o exemplo pega deste lado.
 
   O governo catalão celebrou um acordo com a Microsoft para fazer substituir os manuais escolares por computadores simples, num horizonte de 10 anos.
 
   Os ensaios já começaram e a ideia é mesmo para ir em frente.
 
 Olé !
 
P.S. Um novo pesadelo para as livreiras portuguesas?
       Até teria pena delas não fosse, como pai, ter tido no ano passado mais um pesadelo à espera de vários manuais escolares que só foram sendo impressos, a conta-gotas, muito para lá da abertura do ano lectivo.
 

publicado por António Mateus às 13:29
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

EDUCAR É URGENTE!

 
    Dêem-se as voltas que se derem ao texto, hoje mais do que nunca precisamos de uma escola onde para lá dos conteúdos se priorize a formação de cidadãos, com valores colectivos e humanos.
  Quando o Estado incuba e fomenta o egoísmo e o oportunismo, logo a começar no sistema educativo, torna-se o primeiro e principal responsável pela respectiva falência.
  É também e talvez por isso que o braço-de-ferro sobre a avaliação dos professores pouco tenha evoluído da estaca zero. O desgaste, a desinformação e o conformismo (do salve-se quem puder) são tais, que às tantas se engole a pílula e pronto!
  Sou testemunha directa do pesadelo de trabalho burocrático cada vez mais imposto aos docentes (em claro prejuízo da disponibilidade humanamente possível para os alunos), apesar dos crescentes sacrifícios da respectiva vida extra-escolar e privada.
 Numa sociedade onde os pais confiam a educação académica e a formação humana dos seus filhos ao espaço escolar (ou são forçados a fazê-lo cada vez mais), sufocar os docentes com tarefas “de papelaria” pode excitar os burocratas ministeriais mas resulta, na prática, na inviabilização de a escola servir de segunda família a alunos com problemas, expectativas, sonhos e dramas individualizados.
  E isto para não falar na insanidade de forçar notas (aproveitamento) e a inclusão de alunos que destroem o ambiente escolar, desautorizam, desgatam e até intimidam professores, para fins puramente estatísticos e contabilísticos, à custa e em clara subversão da função formativa que ali deveria ser priorizada e defendida a todo o custo.

  Ao tratar-se os professores como uma seita de indigentes e calaceiros, fomenta-se o despir da camisola, o desamor e o cinzentismo de alma.

  Esta é uma pedrada nessa poça. Por quem é pai,  cidadão e jornalista profissional há 25 anos. E espera de quem nos governa que o faça com sentido de Estado.

 

  Quem semeia desconfiança colhe uma sociedade vazia de alma.

  Quem dignifica e promove o magistério de professor assegura um futuro melhor, a todos os níveis, para a sociedade. Para cada um dos nossos filhos.


publicado por António Mateus às 13:34
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

SEGREDO ANTIGO

 
  Maningue se jiboiava no corcovo da mangueira, como se o tronco, engravidado no chuveiro de final de tarde, lhe subtraísse as quenturas do sol braseirento.
 
  Maningue os via, isso mesmo, maningue apressados. Correndo afogueados, em contramão aos saberes antigos, que ditavam sossego do corpo na hora da queima e o rasgar dos sentidos no descanso do Sol.
 
 Mulungos se rosavam de pele, naquele corre-corre, passando uns pelos outros sem bons-dias, olhares divorciados da alma, como se o corpo e o sentir fossem casais desavindos, desanzolados no existir.
 
  Maningue fechava os olhos e sentia o abraço, curvado do tronco. Como se ele e o Mundo fossem extensões de um mesmo corpo. Afinal, desde menino que aquele era seu colinho, herdado da ausência dos pais, subtraídos pela doença.
 
  Moreno de pele, olhos e cabelo, se perguntava às vezes se Deus lhe armadilhara a vida, a começar pela côr pintada, num Mundo onde brancura significa pureza, valor, e o escurar sinonima a míngua de luz. O vazio de saber.
 
  Nessas alturas se virava no para trás do saber deixado em tradição oral e se atrasava no passo. Repousando no colinho da mangueira fechava os olhos, sorvia o afago da brisa morna e dos cheiros por ela transportados e se descobria iluminado, de coração varandado no frinchar dos olhos.
 
  Maningue sentia a pele arrepiar-se naquela benção de harmonia. Porque assim o escolhia.
 
  Porque no saber antigo, somado de muitos existires, somos o que semeamos. E de nós nos perdemos, sempre que na pressa de nos ultrapassarmos, nos esquecemos de parar e regar, a flor da mangueira em que nos saciamos.
 
 

publicado por António Mateus às 14:21
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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

DIREITO À DIGNIDADE

 
   Opinião todos podem ter. É mais do que legítimo.
 

   Mas mais do que opinião e ainda mais legítimo é o direito à dignidade.

 

   E é essa a bandeira apensa à greve convocada pelos professores para segunda-feira.

   

   Todos podem ter opinião. É legítimo. Incluindo a de ser contra greves. Mas ninguém pode ser contra a luta pela dignidade, tanto mais quando a respectiva subtracção também fere os nossos filhos. 


publicado por António Mateus às 18:11
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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

DESCOBERTA PAQUIDÉRMICA

A maravilha de aprender…todos os dias!

Um estudante universitário norte-americano descobriu uma presa de mamute num local que se supunha jamais ter sido palmilhado por estes gigantes.
 
O feito ocorreu na Ilha de Santa Cruz, no litoral californiano.
 
Junto com a presa foram encontrados despojos de uma grelha costal que se presume pertencente ao mesmo paquiderme.
 
Santa Cruz é a maior ilha de um grupo de oito “salpicadas” ao longo do Canal da Califórnia e que há mais de 10 mil anos estavam reunidos numa única.

publicado por António Mateus às 09:47
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Sábado, 10 de Janeiro de 2009

MÚSICAS MÁGICAS

 

  Lembrei-me hoje de um menino especial com quem trabalhei quando estava a acabar o curso de Educação Fisica.

 

  Chamava-se Ricardo. Tinha paralisa cerebral. 

 

  Deus o levou há 20 e poucos anos para um Mundo onde o corpo não é prisão daquele menino gigante, que será sempre um dos meus heróis.


publicado por António Mateus às 15:58
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A BALDA DO ENSINO

 

 

Texto fictício de uma realidade cada vez menos VIRTUAL no ensino português
 
 
29 de Junho de 2009
paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pa baixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.
 
29 de Junho de 2010 
passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12... f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo... ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é q é uma sócia sbem: a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç... a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd  gente se balda...
 
29 de Junho de 2011
Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disseme q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...
 
29 de Junho de 2013
Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...
 
29 de Junho de 2014
Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprender-mos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceramme de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.
 
29 de Junho de 2015
Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.
 
29 de Junho de 2016
Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...
 
29 de Junho de 2017
Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C. Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso. Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.
 
29 de Junho de 2019
Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.
 
29 de Junho de 2021
Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaramsse. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.
 
29 de Junho de 2023
Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.
 
29 de Outubro de 2023
Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.
 
29 de Agosto de 2029
O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço. A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.
 
 

publicado por António Mateus às 14:02
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

ORGULHO DE PAI

 

 
 
 (FOTO/LUSA)                                                                                                                             
 
   Ter um blog permite-nos estas coisas; assumir publicamente o nosso orgulho. Por exemplo.
 
  Na foto acima, o menino do Colégio Militar (não graduado) que fala com José Sócrates é jóia no meu coração.
 
  Não pelo cenário ou o evento em que acabara de participar (cantar as janeiras) mas por me recordar diariamente que não há nada melhor no Mundo do que ser pai.

publicado por António Mateus às 15:57
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VALOR$S EM CAUSA

 
  Sou jornalista há 25 anos e já acompanhei, anos a fio, pessoas como Nelson Mandela e Desmond Tutu.  Por isso sinto-me absolutamente à-vontade para criticar a política e os políticos que ditam o rumo nacional e pior, infelizmente para nós todos, os que se vão alternando na oposição.
 
  É que eles são todos iguais já repararam? O PS quando está na oposição trucida tudo quanto sejam subtrações aos direitos humanos, cívicos e de liberdade de expressão e depois reclama-se dono da verdade única aquando no poder.
 
  Cito o caso do PS porque é o que está agora no governo e não por ser excepção nesse quadro negro já que apenas mudam as moscas quando o PSD toma as rédeas do poder.    
Ou melhor, sejamos frontais; verdade seja dita, nunca desde o 25 de Abril houve um tal clima intimidatório e persecutório a não ser durante a orgia do PREC.
 
  Mas mesmo assim foi com abertura e disponibilidade que ouvi a entrevista dada esta semana por Sócrates à SIC...sublinho; abertura e disponibilidade...mas apenas até ouvir a atoarda justificativa de manter nas escolas uma série de criminosos e marginais que infernizam a vida a professores e aos nossos filhos.
 
  Sócrates acha que é um triunfo ter “somado” aqueles energúmenos ao sistema de ensino oficial. É claro, quando se tem conselheiros que pontificam ser  "apenas" uma “brincadeira de mau gosto” ameaçar uma professora com uma pistola (seja ela de plástico ou atómica) ou de lhe dar um par de murros, só se pode viver noutro Planeta.
 
 Os valores bebem-se no chá à nascença – diz a sabedoria popular.
  É óbvio que falamos de primados diferentes;
 
  - Para o PM “valores” são o saldo do orçamento de Estado e o número de alunos que FREQUENTAM o ensino (algo bem diferente do número de alunos que APRENDEM) .
 
  - Para mim, “valores” são o respeito pelos outros, o civismo, o gosto de aprender e o respeito pelo colectivo.

publicado por António Mateus às 13:22
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