
Castigo era corpo de muitos existires.
O dele, que se esquinava de dia para dia, no tardar do mata-bicho. E nos de tantos como ele, que às fomes do corpo somavam a de um arco-íris interior.
Aquelas molinhas que a vida nos pranta nos calcanhares do dia, quando se flutua no feitiço de um perfume mágico.
Homem que era também, de muitos quereres, Castigo se descobriu um dia, rebocador de ventos e marés, xicuembos seus e de sua morena e os tentou afunilar num mesmo existir.
Como se no olhar, fixo, para o horizonte da vida pudesse caminhar sobre os vidros sem verter gota de sangue.
Um dia, Castigo estendeu a mão para trás, e a sentiu vazia de metade de si. Para trás, algures na viagem, sua morena virou à esquerda em Tumbuctu, enquanto ele esboroava o caminho à sua frente.
“- É factura de guerreiro esta solidão?” – perguntou ao madala rendilhado, quando a Lua rendeu o Sol.”É possível cerrar os sentidos no estraçalho de espada alheia e mesmo assim divisar o Norte e o Sul, cardeais do existir?”.
Madala lhe sorriu, secando-lhe a lágrima-suor; “Guerreiro-homem! Teu existir se tornará semente de outros tantos, de cada vez que te sentares dentro de ti e acordares humilde. Refundido no estar e no amar, porque essa é a chave”.
Naquela noite, Castigo adormeceu menino dentro de si. Dormiu mil vontades de sonhar. Sonhou de novo, a vontade de amar.