É indicativo da nova realidade da sociedade portuguesa que, pelos vistos, só passa ao lado das prioridades editoriais dos nossos media.
Angola é indiscutivelmente o maior foco de interesse externo do empresariado português e da nossa emigração mas ninguém o diria se tivesse por base de análise os nossos jornais/telejornais.
E o motivo é só um: alguém inventou - acreditem ou não os não-jornalistas - que África "não faz audiências" (eu diria que o problema é antes a cada vez maior ignorância sobre o tema de quem define os alinhamentos).
Mas como a vida prossegue o seu rumo, mesmo à revelia dos media (que paradoxo!) os dados agora revelados pelo SEF não deixam margem para dúvidas; pela primeira vez desde a independência de Angola o número de emigrantes angolanos em Portugal baixou.
De 32.728 passaram a 27.619, no ano passado, enquanto o número de portugueses que procuram Angola não pára de aumentar e só é de alguma forma restringido pelas dificuldades na obtenção de vistos.
É caso para dizer; acordem jornalistas!
África e Angola têm de assumir nas páginas e alinhamentos dos nossos jornais o mesmo relevo que ganham cada vez mais junto dos portugueses senão admirem-se de um dia fazerem jornais só para consumo dos amigos e da respectiva família.