O exemplo, moral, foi-nos dado há uns anos por um Senhor (com “S” maiúsculo) chamado Nelson Mandela.
Na altura do “acerto” de contas com os promotores do sistema de apartheid, Mandela afirmou serem inaceitáveis as violências cometidas contra civis tanto pelo sistema racista como pelos que se lhe opunham.
Nenhuma causa justifica o ataque a civis indefesos, por muito desesperada e desproporcional que seja a luta travada – sublinhou o velho senhor, ao pedir desculpa, em nome do ANC, pelos excessos cometidos.
No caso Palestinianos versus Israel, devemos ter isso sempre presente.
Para ambos os lados.
É um terreno onde ambos ultrapassaram há muito os limites mínimos do tolerável humanamente e, por isso mesmo, cabe a ambos recuarem em aproximação.
O facto é que após Israel se retirar de Gaza o Hamas passou a usar esta faixa para lançar ataques transfronteiriços contra civis. O Hamas não cedeu coisa nenhuma. Manteve as mesmas exigências apresentadas antes da retirada israelita e a causa de destruir aquele país.
Ao fim de meses a levar com centenas de roquetes lançados do território que desocupara, Israel resolveu ir atrás de quem lhe bombardeava a casa.
Questiona, no caminho, se haverá “resposta desproporcional” quando nos metralham a mulher e filhos.
No meio na crise económica internacional nem tudo é mau..nem podia ser. As mensalidades dos empréstimos de compra de casa devem voltar a descer, por redução das respectivas taxas de juro.
Uma boa notícia para os milhões de portugueses que se “esmifram” a deitar contas à vida, no ginásio das despesas.
A boa nova foi “apontada” pelo governador do Banco de Portugal.
Vitor Constâncio adianta que o Banco Central Europeu poderá continuar a descer as taxas de juro para garantir que a inflação fique perto dos dois por cento.
Depois de um período de sufoco, O BCE já desceu por três vezes desde Outubro a taxa de juro de referência, arrastando em igual efeito as Euribor.
O que mais me impressiona na maré de blogs, jornais, revistas e outros veículos de informação é a quantidade de portadores de “certezas”, única e absolutas, quase sempre alicerçadas em opiniões puramente pessoais.
E um exemplo onde isso transparece de forma obscenamente evidente é o que chamam de "conflito israelo-palestiniano", onde o próprio confinamento do problema a dois actores traduz a profundidade do maniqueismo em causa.
Aprofundo ainda mais a provocação; não vos dá que pensar o mar de vítimas civis e, em particular, de crianças, derivado do corrente assalto israelita a Gaza?
Pensem um pouco sobre isso. Ao final da tarde volto aqui para partilhar um pouco convosco o que me ocorre, decorrente de anos de experiência como jornalista em zonas de conflito.
Nunca fiz disso segredo; a política nacional seduz-me tanto como um cão sarnoso. Ou melhor, do lado do infectado quadrúpede recebe-se pelo menos lealdade.
Medida da “densidade” e valor da dita cuja é uma “notícia” em que acabei de tropeçar no “site” do “Público”, versando a “controvérsia” (?) sobre o número de militantes “desfiliados” do CDS-PP, na distrital de Bragança.
Não sei se o tema vos subtrai da sonolência absoluta um único neurónio, a menos que me esteja a dirigir à namorada ou mãe de um dos tais “desfiliados”.
Num país onde o principal partido da oposição se balda à votação do tema mais quente na formação dos nossos filhos (como foi a avaliação dos professores), que raio nos interessa a nós quantos entram ou saiem de um partido ainda menor em dimensão e consistência!
Poupem-nos!
Um mau canalizador fica sem emprego, um professor balda está lixado.
No somar das Luas foi aprendendo a trocar as horas de sonhar, de olhos fechados, pelo cabriolar das vedações dos sentidos.
Se ele se multiplicava em arco-íris, dentro de si, porque não transgredir os muros dos outros sentires, se o seu lhe bastava?
Milando foi assim aprendendo a sonhar em roda-livre, cada vez mais autónoma.
Sonhava de olhos fechados e abertos, progressivamente sem distinção.
Até que um dia, milandando pelo bazar da cidade, tropeçou num velho sangoma. Daqueles que tudo vêem sem empréstimo dos sentidos.
-Olha lá! – murmurejou o madala. – Tu que dormes a vida e vives nas costas da Lua, porque carregas em tua alma tantos vazios?
Milando se arrepiou no despir de alma, como se o outro lhe tivesse desnudado as dobras do coração. A orfandade de viver em pista única.
- Não te espantes. Meu segredo não é xicuembo. Não leio tua solidão por magia, sonhando, como tu, de olhos abertos, mas por somar aos meus, os sonhos alheios. À minha, as vidas alheias.
E assim me pluralizo no sentir.
Naquela noite, Milando adormeceu, pela primeira vez em muito tempo, de olhos fechados.
Sonhou mil sonhos. Daqueles de sonhar.
Depois, de manhã, abriu os olhos e foi à vida, de olhos abertos, na soma das luzes emprestadas.
Tears in Heaven é, para mim, um dos poemas de rock mais dilacerantes de sempre.
Foi composto por Eric Clapton em memória de um seu filho que, ainda bebé, morreu ao despenhar-se de um arranha-céus, através de uma janela deixada entreaberta.
Por voltas da vida, dois anos antes, eu conhecera pessoalmente Clapton em Maputo, onde ele fora actuar enquanto eu chefiava ali a delegação da Lusa.
A morte prematura de um filho é certamente o pior pesadelo configurável a um pai ou a uma mãe.
E a todos nós, os poupados por tal tragédia, só nos resta ficar com o coração pequenino perante os menos afortunados nessa viagem.
Desta vez as “Lágrimas no Céu” rolaram de alguém mais conhecido por nos pintar sorrisos, mesmo para quem o considera “piroso” no seu “métier”.
John Travolta perdeu um filho por problemas de saúde.
Jett tinha apenas 16 anos de idade e desfaleceu em casa dos pais, ao que parece pelo agravamento de uma doença do foro vascular.
Dirão uns que se trata de uma tragédia de foro privado. Eu permito-me acrescentar que tudo o que nos desperta sentimentos de solidariedade e de humanismo, só nos acrescenta.