Alguém acredita que é possível fazer-se informação equilibrada e formativa quando os conteúdos são ditados pelas audiências ou a ilusão do que pode ou não fazê-las?
Mesmo os mais atentos médio-comentadores (que é diferente de médio-pensadores) consultam diariamente as audiências dos Telejornais para ditarem a “competência” de quem lhes decide os conteúdos.
O critério de competência resume-se assim, cada vez mais, exclusivamente, à procura pelos consumidores da refeição servida em prejuízo do equlíbrio alimentício ou formativo da mesma.
É a teoria de o melhor cozinheiro ser o pós-adolescente faxineiro-polivalente do Macdonalds e não o “maitre” que queimou pestanas durante décadas a somar saberes e “magias” das mais diversas culturas.
Sendo assim, por arrasto, não será de espantar que para nossos governos se escolham “happy meals” em vez de robalos cozinhados lenta e sabiamente em algas.
Já vai em quase três mil o número de mortos por uma epidemia de cólera no Zimbabué.
Falo de um país que há uma década ainda era um celeiro regional e repositório de um dos melhores conjuntos de infra-estruturas herdados do período colonial em todo o continente africano.
Falo de um país onde o esgotar de todas as vias razoáveis de diálogo e de paciência levou um prémio Nobel da Paz (Desmond Tutu) a advogar o recurso a um golpe de Estado.
Mas falo também de um país que raramente vejo nos Telejornais das nossas três televisões, por – segundo se argumenta – notícias de África serem previsivelmente negativas e não “fazerem audiências”.
Pergunto se o que está em causa não é exactamente a profunda ignorância de quem dita os conteúdos desses jornais sobre África, as implicações e a importância para todos nós do que por lá se passa.
Pergunto se o que está em causa não é o nosso alheamento colectivo aos valores que gostaríamos fossem pilares do estar dos nossos filhos.
Pergunto para que precisamos nós de governos que são meros gestores contabilísticos e estatísticos e não vislumbram, ponderam ou sequer valorizam o perfil de cidadãos, de seres humanos e de sociedade que estamos hoje a construir para os vindouros.
São coisas destas que ridicularizam a dimensão dos nossos próprios problemas.
Na Bélgica, um homem entrou num infantário e matou à facada dois meninos e uma mulher, por motivos ainda desconhecidos.
Além destas mortes o agressor provocou ainda ferimentos em mais 10 crianças e dois adultos.
Logo após o incidente, ocorrido em Termonde, 30 kms a sudoeste de Bruxelas, o agressor fugiu de bicicleta para uma instituição psiquiátrica antes de ser capturado.
De "Músicas da minha vida", da Antena1, pedi hoje emprestado ao João Adelino Faria este deslumbramento inspirado em dois dos mais notáveis compositores portugueses de sempre.
Conta ele que passeava nos jardins da Universidade de Oxford quando foi arrastado para uma igreja pelo som de um coro. Ali viria a saber que se tratava de obra de dois portugueses…Manuel Cardoso e Duarte Lobo, dois génios musicais do século XVII.
Tão bonito que arrepia. Como a infinidade da nossa ignorância!
Uma das mais prestigiadas figuras africanas ligadas aos chamados movimentos de libertação condenou frontalmente o regime do presidente zimbabueano Robert Mugabe e exigiu aos líderes da região que ponham fim ao descalabro socio-económico daquele que já foi um celeiro regional.
Graça Machel, viúva do primeiro presidente moçambicano Samora Machel e actualmente mulher do líder histórico anti-apartheid, Nelson Mandela, afirmou que o governo de Mugabe perdeu a legitimidade ao impor um sofrimento inenarrável ao seu povo.
“Tenho sido parte dos que confiaram e esperavam que os nossos líderes soubessem o que estavam a fazer e descobririam uma solução. Mas temos de reconhecer que já esperámos tempo demais” , sublinhou durante o lançamento em Joanesburgo da “Save Zimbabwe Now”.
“O nosso coração dói quando nos lembramos dos milhares e milhares de mulheres, crianças, homens, jovens e idosos, que entretanto morreram e cujas vidas poderiam ter sido salvas”.
Foram tantas as gaffes quantas as vezes que o eleitorado norte-americano se reconciliou com o 43º titular da Casa Branca.
George W Bush despede-se da presidência dos Estados Unidos com uma imagem e uma herança no mínimo controversas.
Os Estados Unidos estão longe de ser uma referência em termos de acerto e ética em política internacional mas, infelizmente para todos nós, e para os nossos filhos, a hipocrisia e o interesseirismo são cada vez mais prevalecentes e sem excepção.
A última, recordo, pertenceu a um senhor chamado Nelson Mandela e a uma África do Sul que de pária da humanidade se transformou num farol de esperança e um exemplo para todos nós.
Pense-se o que se pensar, goste-se ou não, os Estados Unidos são, com todas as suas imperfeições, um último reduto de esperança de prevalência do direito e da democracia sobre interesses instalados e as ditaduras. Personalizadas ou de interesses económicos.
É por isso que as sucessivas gaffes semeadas publicamente por Bush nos merecem um sorriso. Porque rir, afinal, é um brilho de alma.
Desde a bofetada de D. Afonso Henriques a sua mãe que Portugal e Espanha não voltavam a (re)fundir a Ibéria num projecto comum de tão grande impacto.
As Federações de Futebol dos dois países vizinhos decidiram finalmente unir esforços, meios e influências para disputar a realização do Mundial de 2018.
Dirão os futebolofóbicos ou os Velhos do Restelo que é um desperdício de fundos públicos ou mais um elefante branco que, quando muito, servirá de atractivo no Jardim Zoológico de Lisboa.
Mas o facto é que, goste-se ou não de futebol ou de mega-eventos do género, estes são, de longe, a maior fonte de projecção Mundial de um país, do respectivo turismo e economia, desde que tudo seja preparado e executado com génio e, ao mesmo tempo, disciplina. Com ambição e rigor. Com visão e sentido de Estado.
Cito-lhes apenas o caso do Mundial do próximo ano na África do Sul. Tudo quanto era ser “iluminado” e palrante ditou que não passara de um delírio da FIFA ao querer entregar o evento a um país africano.
Afinal, contra os profetas do desastre, a África do Sul já conseguiu contratos nunca antes atingidos em fases finais desta prova, incluindo por gigantes como a Alemanha.
Acreditem. Apoiem o arrojo. Contribuam com o melhor de todos e de cada um de vós. Parem de uma vez por todas de esperar que façam coisas por vocês.
Sinto-me à-vontade para lhe prestar homenagem, porque nem me passa pela cabeça mudar-me como jornalista para qualquer dos produtos do grupo Impresa.
Luiz Vasconcellos foi um dos fundadores históricos do "Expresso" e do grupo Impresa e, por isso mesmo, todos quantos nos batemos por um jornalismo sério e de qualidade lhe devemos tirar o chapéu, particularmente na hora da sua morte.
Tive uma breve passagem pela SIC como correspondente na África do Sul, antes de ser “transferido” administrativamente para a empresa que hoje sirvo, mas guardo desses dias uma memória de respeito e aposta em que se vestisse a camisola comum.
Bem hajam os raros empresários e administradores que apostam na maior riqueza do património por eles gerido; a excelência (por oposição a subserviência e “lambebotismo”).
Israel declarou um cessar-fogo unilateral com o Hamas em Gaza que deve durar menos do que o secar da tinta no papel do acordo.
Sem qualquer surpresa o Hamas responde que do seu lado vai continuar a despejar bombocas sobre os israelitas, que por sua vez permanecem acantonados, pelo menos 10 dias, na Faixa de Gaza.
Convido-o(a) a visitar o site do Hamas na internet, a ler a respectiva declaração de constituição e a repensar o que faria com tais meninos do coro se os tivesse por vizinhos.
Israel pode ter pisado o risco zilhões de vezes mas o Hamas, esse, nunca o fez. Não por estar acima de crítica mas por sempre ter vivido do lado de lá da vedação dos que acham que alinhar os próprios filhos na mira de uma espingarda e provocar ao limite o atirador é garantia de vaga no paraíso.