Terça-feira, 11 de Março de 2014

ARQUIVAR A DIGNIDADE

 

Formaram uma das unidades de combate mais efectivas e disciplinadas do nosso tempo, mas foram postos de lado no prato por "correção" política.

 

O Batalhão Búfalo integrou angolanos empurrados para as Terras do Fim do Mundo, durante a corrida às armas no fim da década de 70.

 

Depois de serem alimentados e reenquadrados nas forças armadas sul-africanas, foram novamente abandonados à sua sorte, por aqueles que serviram.

 


publicado por António Mateus às 01:02
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

FALAR A DIREITO

 

Esta é a história real - sem vírgulas políticas ou interesses directos ou indirectos, seja no que for que não seja o relato puro - do atropelar de tudo cometido na independência de Angola.

 

Uma memória que fica para a História.

 

Aqui contada na primeira pessoa.

 

 


publicado por António Mateus às 20:19
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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

ÁFRICA TUA

A África lusófona é notícia (desta vez) por bons motivos.

 

 

 

Cabo Verde surge em quarto lugar (incluído no quadro de honra continental de boa governação) e Angola deu um salto enorme no sentido positivo, do chamado index Mo Ibrahim.

 

É uma avaliação anual, país a país, patrocinada pela fundação de um multimilionário sudanês (Mo Ibrahim).

 

Nas conclusões deste ano evidencia-se um alerta: as melhorias económicas e de qualidade de vida estão a ser contrariadas por recuos a nível dos direitos humanos e das liberdades civis em muitos países africanos.

 

A classificação global inclui items como segurança, participatividade, direitos humanos, oportunidades económicas sustentáveis e desenvolvimento humano e é por via disso, que de uma forma algo inesperada, Cabo Verde surge à frente de um gigante como a África do Sul.

 

Em termos de qualidade de governação, figuram ainda nos trinta melhores países africanos dois lusófonos; São Tomé e Príncipe (11º) e Moçambique (20º).

 

Apesar de todas as convulsões de que tem sido palco, a Guiné-Bissau figura na 41ª posição, entre os 53 avaliados, à frente de Angola (43ª), o país que mais subiu mas é ainda fortemente penalizado como um dos mais frágeis do mundo em termos de desenvolvimento humano.


publicado por António Mateus às 17:13
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

LUTO DOS INOCENTES

 

Os dois movimentos separatistas cabindenses reclamam a autoria do atentado sangrento que vitimou futebolistas togoleses em trânsito para o enclave.

 

E um deles, a FLEC-PM, avisa mesmo que haverá novos incidentes do género durante a Taça Africana das Nações de Futebol, iniciada domingo em Angola.

 

Rodrigues Mingas, auto-proclamado desta facção dissidente afirmou que o alvo dos seus homens nesta emboscada era a guarda militar angolana e não os futebolistas do Togo, por – nas suas palavras – Cabinda estar em guerra.

 

A mesma argumentação usada por um porta-voz da FLEC-FAC logo após a emboscada de sexta-feira. A diferença está em que o primeiro daquelas facções avisa que irá manter os ataques durante o CAN-2010, o Chefe de Estado Maior da FLEC-FAC anunciou a suspensão das hostilidades durante a prova.

 

Á gravidade da (irre)solução do problema de Cabinda há várias décadas, acresce cada vez mais a politiquice e as tricas de interesses entre os independentistas no exílio e os elementos armados no terreno.

 

Luanda insiste tratar-se de uma “questão doméstica” e de “soberania nacional” para rejeitar qualquer pressão ou legitimidade dos independentistas, mesmo quando os cabindenses pouco beneficiam da imensa riqueza natural das suas terras ancestrais.

 

 Nada poderá justificar o derrame de sangue de inocentes – como foi o caso das vítimas togolesas – e daí a condenação generalizada da emboscada como um acto atroz, eventualmente mobilizador de uma caça global aos responsáveis das FLECs armadas.

 

O problema é de quem tem memória e consciência...porque barbaridades deste calibre ou bem pior já foram protagonizadas por quase todos os países e militâncias, que agora (e bem) chamam terroristas a quem arquivou o respeito pelos direitos humanos, em nome do desespero, de interesses financeiros ou da conquista do poder.

 
 

 


publicado por António Mateus às 13:31
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

ANGOLA A DIREITO

 

   É um dos países do mundo que melhor conheço como jornalista, estrangeiro e como "irmão" apaixonado de África.
 
   E por isso mesmo, ao contrário de tantos "especialistas africanos" que vejo, escuto e leio diriamente nos media portugueses,  assumo a imensidão da minha ignorância sobre fenómenos como o recente ataque mortal a um autocarro de futebolistas do Togo, atribuído à FLEC.
 
   Desde os tempos coloniais que se contam meias-verdades e se reprime o mensageiro quando estão em causa os interesses financeiros colossais de Cabinda, sepultando assim ainda mais a hipótese de uma solução para o problema de raiz.
 
   É verdade que nada poderá justificar um golpe publicitário sangrento mas como entender também a insanidade de uma selecção de futebol viajar de autocarro em zonas quentes como aquela?
 
   Lembro-me de nos anos 90 ter ido como jornalista, da África do Sul a Cabo Ledo, fazer uma reportagem com responsáveis da então “Executive Outcomes”. A empresa acabara de ser contratada pela liderança militar do MPLA para reagrupar as FAPLA após o regresso à guerra pela UNITA.
 
   Tratava-se de contratar para ajuda ao MPLA homens que conheciam por dentro a UNITA e tinham estado na frente de guerra contra Luanda, integrados nos batalhões 32 e 33, forças de elite sul-africanas.
   Estive naquela base com Eeben Barlow, do lado da EO, e os generais João de Matos e o António Faceira, a testemunhar o arranque do contrato.
 
  Nesse mesmo dia fiz um despacho para a Lusa e para RTP. No dia a seguir, o então porta-voz da Embaixada de Angola em Lisboa protestou a notícia como “falsa” e exigiu desculpas.
 
  Fiquei perplexo!
  Perguntei aos meus botões se ninguém avisara a Embaixada de Angola que aquele acordo já estava em vigor e activo há vários meses, ou se a opção era de calar o mensageiro.
 
   Depois lembrei-me que somos todos luso-falantes. Com os mesmos méritos e defeitos;
 
   Se aqui em Portugal se deve comer e calar e se privilegia o lambebotismo em vez do enriquecimento com outros olhares, porque haveria de ser diferente em Angola?
 

publicado por António Mateus às 18:43
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

PETRÓLEO ANGOLANO DISPARA

 

 

   Aí está o que os especialistas há muito prenunciavam; Angola ultrapassou a Nigéria como maior produtor africano de crude, graças a uma inversão dos respectivos quadros de segurança.


   Enquanto a guerra civil e a instabilidade a ela associada são um um pesadelo cada vez mais remoto em Angola, mais a Norte, o Delta do Niger é terreno fértil de guerrilha.


   Na hora de balanço das respectivas produções em Junho, Angola somou assim, sem surpresas, uma média de 1,8 milhões de barris diários de petróleo contra 1,7 da Nigéria.


   E isto, sublinhe-se, apesar de especialistas como Tom Pearmain, da IHSGlobal Insight, sustentar que a Nigéria tem uma capacidade natural de produção de petróleo superior à de Angola, num rácio de 4 para 3.


   Mas quando a estabilidade da Nigéria é um cenário, pelo menos para já, algo nebuloso, será seguro antecipar uma corrida global sem precedentes ao próximo licenciamento de exploração petrolífera em Angola, apontado para o próximo ano.


publicado por António Mateus às 12:31
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

ANGOLA VULCÃO

 

 

   Eu sei que tenho tudo "errado" para o afirmar; sou branco, tuga e, ainda por cima, reincidente a "botar" faladura desconfortável sobre coisas que "não-me-dizem-respeito".

 

   Peço pois assim emprestado o "afronto" a alguém "galoado" como Pepetela, hoje citado na Reuters a afirmar, sem papas na língua, como lhe é timbre: 

 

- Angola é um vulcão à beira de erupção a menos que o combate à pobreza se torne prioridade urgente e palpável.

 

Alguém o escutou a ele? É possível!

Alguém transformará a lucidez em acção? Bem...isso é outra cantiga.

 

   Pobre protesta baixinho, pois então. Até ao dia em que morde na bota calcadora. Ou já esqueceram o destino da barriga que vai esticando enquanto mingua a da maioria?

 

   Claro! - Vão dizer! Lá vem o Mateus, esse tuga, branco, confusionista, meter pau em sopa alheia.

 

   Acontece que amor pelas gentes é peganhento. E ao africano, muitos o sabem, se peganhentou meu sentir.

 


publicado por António Mateus às 21:29
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Sábado, 21 de Março de 2009

PAPA DE EXTREMOS

 

  

    Em 72 horas o Papa tornou-se um exemplo de dois extremos opostos:

Irrealismo e frontalidade.

 

   Primeiro, nos Camarões, Bento XVI deu mais um tiro no pé do respeito global pela idoneidade do Vaticano ao condenar o uso dos preservativos no continente mais flagelado do Mundo pela SIDA.

 

   Depois, já em Luanda, sublinhou a obscenidade dos salamaleques internacionais perante um país onde uma pobreza generalizada convive paredes-meias com riquezas indizíveis.

 

   Enquanto em Lisboa a quase unanimidade dos partidos e analistas teve um ataque de amnésia e vestiu as botas do interesseirismo vis-à-vis Luanda, o Papa pediu, à frente de José Eduardo dos Santos, que África se liberte do “flagelo da avidez, da violência e da desordem”.

 

   E mais não digo!

   Para quê?


publicado por António Mateus às 00:02
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António Mateus

Escritor e jornalista. Nasceu em 1960 em Castelo Branco, filho de uma socióloga e de um Oficial de Cavalaria. Licenciado pela UTL e iniciou a sua actividade jornalística no jornal O Globo em 1982. Continuar a ler (...)

Os meus livros

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