Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Pedagogos ou sutores?

Ao Pedagogo confiamos há séculos a função de ponte entre o barro em que lhe emprestamos nossos filhos e o vaso em que estes se vão moldando, numa soma de luz, amor,  persistência e visionarismo.
 
Poderia ser, na antiguidade, um simples escravo ou servo, encarregado de acompanhar a criança no viajar diário entre casa e o emprestar de saberes.
 
Muitas vezes, "escolhia-se para este cargo alguém que, devido à idade, ser aleijado, ou sofrer de outros defeitos, fosse incapaz para os serviços domésticos." (Monroe, 1979: 41).
 
O pedagogo transportava a bagagem de seu amo, a lanterna que servia para iluminar o caminho e, tantas vezes, a própria criança fatigada.
De modesto servidor, o  pedagogo foi progressivamente adquirindo outras funções, nomeadamente ao nível da responsabilidade moral e do cuidado geral de seu menino. 
 
Na verdade, ao acompanhar a criança à palestra tornava-se necessário protegê-la contra os perigos da cidade. E porque com ela passava grande parte do dia, o pedagogo prestava-lhe uma contínua vigilância.
 
Não é pois de estranhar que, pouco a pouco, lhe fosse confiada a educação moral do seu pupilo. Quer isto dizer que, apesar do seu carácter servil e do pouco prestígio que muitas vezes lhe era atribuído, o pedagogo cuidava da educação moral da criança, das suas boas maneiras, do seu carácter. 
 
A pequena lanterna que o pedagogo transportava e que servia para iluminar o caminho acabou assim por adquirir o estatuto de uma metáfora.
Como o parece ser, cada vez mais, para quem nos governa, o reconhecimento e respeito por quem modela o barro a eles confiado.

publicado por António Mateus às 14:18
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António Mateus

Escritor e jornalista. Nasceu em 1960 em Castelo Branco, filho de uma socióloga e de um Oficial de Cavalaria. Licenciado pela UTL e iniciou a sua actividade jornalística no jornal O Globo em 1982. Continuar a ler (...)

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