Segunda-feira, 2 de Março de 2009

NINO E A AMNÉSIA DA BRUTALIDADE

  

  

   Eram mortes anunciadas. Sem ser preciso um sangoma africano para o descortinar.

 

   Nino Vieira e o Chefe de Estado Maior Na Waié tinham literalmente um ódio de morte recíproco e foi isso que lhes caiu em sorte.

 

   Foi primeiro Na Waié, que por sua vez já sucedera a um Chefe de Estado Maior assassinado no seu gabinete em Bissau.  Agora em vez das balas o destino foi consumado por uma bomba que os apoiantes do general consideraram asssinada por Nino.

 

   O resultado foi um assalto retaliatório à residencia do Presidente da República, onde o entrevistei há dois anos.

 

   Recordo o cofre enorme atrás da sua secretária e de pensar “que cena caricata”. Uma espécie de banco do jogo do monopólio arrumado junto a uma porta de acesso ao jardim traseiro, através do qual Nino saía de casa.

 

   É um país com uma longa história de violências mas onde só se recordam as politicamente correctas.

 

   Alguém se lembra do assassínio brutal e gratuito dos majores portugueses que Spinola enviara para negociar um acordo de paz com o PAIGC à revelia de Lisboa?

 

   Alguém recorda as centenas de militares negros presos, executados e sepultados em valas comuns só por terem servido a bandeira portuguesa?

 

   Às vezes é melhor não haver memória. Sermos todos amnésicos. 


publicado por António Mateus às 19:37
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António Mateus

Escritor e jornalista. Nasceu em 1960 em Castelo Branco, filho de uma socióloga e de um Oficial de Cavalaria. Licenciado pela UTL e iniciou a sua actividade jornalística no jornal O Globo em 1982. Continuar a ler (...)

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